Ainda me
lembro de quando começou, o que soa bastante incoerente, porque não lembro de
minha infância. O cheiro era diferente; É como se este frasco de perfume fosse
de uso único. As cores eram mais vivas, a perfeita ordem transbordava em tudo
e, como um lindo espelho, refletia a perfeição. E aquela sinfonia natural? Que
compositor criara a música, não aquela música, mas, pergunto, A música?
Era um prazer ver o trabalho de
minhas mãos servindo ao seu propósito maior, fazendo parte ativamente de toda
aquela arte, e não apenas as mãos, mas também com a boca, embora isso tenha
exigido uma criatividade sobrenatural. Sabe o melhor? A beleza não vinha de mim
ou do meu trabalho, eu apenas refletia, afinal, as cores são reflexos
da luz, de modo que sem a luz não são nada.
Mas toda
aquela cor e todo aquele cheiro foram de alguma forma, eu não diria melhorados,
de modo algum... na verdade o ambiente não mudou, eu é que fui aperfeiçoado,
muito embora sem falhas. Pois para ser complementado, não precisa estar em
falta, basta estar limitado. E assim eu era, embora inteiro, minha
inteireza não supria toda a demanda. Não se podia ver muito em mim, embora se pudesse
ver perfeitamente. Era necessário uma extensão de mim mesmo, igual, mas
diferente.
Eu dormi... e foi um sono tão
profundo que meus sonhos se concretizaram. Eu que queria deixar de ser só um,
acabei por me tornar um só, mas não sozinho. Ela apareceu,
reencontrou-me, pois, era parte de mim sendo alguém e viria a ser alguém que é
parte de mim. Assim como fui tirado da terra para trata-la, ela fora de mim.
Dividir para multiplicar, essa é a grande proposta.
Além das
cores, sons e aromas, nós refletimos intenções e atitudes. Nosso relacionamento
não é baseado em intuição ou presságios como com a chuva, mas em decisões
pessoais que afetam o outro. E se há ideias diferentes, elas se completam e sua
síntese expressa nossa unidade complementadora.
“E viu Deus tudo o que fizera, e
eis que era muito bom.”

Muito bonito muleke!
ResponderExcluirass: Tiago Vercelino